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22 de Setembro de 2017

Ética e dinheiro

Liberdade Juridica, Administrador
Publicado por Liberdade Juridica
há 3 anos

Por Oriovisto Guimarães

“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar nosso jantar, mas da consideração em que eles têm pelo interesse próprio”, escreveu Adam Smith em A Riqueza das Nações, de 1776.

Qualquer política ou exigência moral que se baseie em premissas que contrariam as leis da natureza invariavelmente acaba em vícios, doenças, ladroagens e outros escândalos. Desconhecer a lei da gravidade não ajuda o construtor de aviões. Reprimir em excesso nossos naturais impulsos sexuais acaba, via de regra, em doença psíquica, ensinou Freud.

Não respeitar as leis da natureza é pedir para fracassar. Conhecê-las e respeitar sua implacável validade é sempre necessário para o homem ou a sociedade humana alcançar a felicidade e o progresso. A preocupação com o meio ambiente e com o equilíbrio ecológico, presentes em várias correntes do pensamento, revela que o homem está ficando mais sábio.

Adam Smith, ao explicar a origem da riqueza das nações, tomou por base o conceito de “liberdade natural”, cuja principal característica é a liberdade individual para competir com os semelhantes, com intervenção mínima do Estado. Essa “liberdade natural” não pode e não deve ser sufocada, pois sempre que isso foi feito o resultado foi a miséria do povo e privilégios de ditadores e burocratas, não raro com corrupção generalizada.

Um Estado mínimo que garanta a justiça na competição entre indivíduos livres é fundamental para a existência da civilização e o impedimento da barbárie. Não se trata de ser contra a necessidade do Estado. O que se discute é o tamanho do Estado e até que ponto ele deve interferir na liberdade natural dos indivíduos.

Ditadores, partidos e políticos de viés totalitário tendem sempre a esmagar a liberdade natural. Não admitem a liberdade de imprensa, criam monopólios econômicos estatais (monopólio do petróleo, dos correios, da energia etc.) e ainda julgam deter o monopólio da verdade.

Quanto maior o Estado, menor a liberdade natural dos indivíduos, maior a corrupção e menor o crescimento econômico. Ditadores ou partidos políticos que se julgam iluminados e defensores dos pobres são pessoas comuns (que de iluminados não têm nada); na essência, buscam posição de poder para a defesa de seus próprios interesses. Mentem quando desejam levar o povo a crer que eles não têm interesses egoístas e são anjos que vieram para salvar a pátria.

Aí está o exemplo da desmoralização da Petrobras, que nasceu sob a máxima de Getúlio Vargas “o petróleo é nosso”, e hoje mostra que o petróleo não é do povo, mas dos partidos políticos e dos diretores corruptos nomeados. Eles, associados a empresários igualmente corruptos, fizeram o valor da empresa cair 60% nos últimos dez anos.

Outra grande estatal, a Eletrobras, vítima de uso político indevido pela Medida Provisória n.º 579/2012, acaba de admitir que não tem recursos para pagar os dividendos neste ano. A riqueza e o acúmulo de dinheiro somente são éticos quando fruto da “liberdade natural” do empreendedor, obediente às leis. Nesse caso, toda a sociedade se beneficia com a geração de riquezas, empregos e impostos.

O empreendedor honesto, que trabalha sob normas legais, merece o aplauso e o respeito da nação. Os políticos ou empresários que enriquecem com o dinheiro da corrupção nas atividades em que o Estado, com o dinheiro dos impostos, é o controlador merecem o nosso desprezo e a prisão.


Publicado originalmente na Gazeta do Povo

6 Comentários

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Concordo com a maior parte do texto, mas é necessário um capitalismo que fuja da selvageria que se instalou no país após o "descobrimento" de Pedro Álvares Cabral. Um capitalismo neo-liberal que vinha sendo implantado seria igual a um socialismo pregado por Stalin no seu auge. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. O equilíbrio que tem os países Nórdicos já é mais que suficiente. continuar lendo

Perfeito, amigo...Equilíbrio!!! continuar lendo

O mundo é selvagem.

Domesticar é tarefa que os homens tentam fazer. O Estado é uma forma de domesticação coletiva. Quanto maior o Estado, maior a domesticação e menor a liberdade. Quanto menor o Estado, maior a liberdade e menor a domesticação.

Nesse aspecto de busca do equilíbrio, é preciso abandonar utopias. Não há iluminados; até mesmo na fé cristã, o Filho de Deus, Jesus Cristo, foi único e inigualável, não há ser humano que possa se equiparar ao modelo de completude de comportamento. Assim, na fé cristã, as pessoas não são coagidas a se comportar como o modelo, nem a se guiarem por iluminados humanos de forma coercitiva. continuar lendo

Um belíssimo esclarecimento, naquilo que muita gente, se aliena e se refugia sem perceber que está se entregando à preço irrisório, ou quase de graça.

E, concordo demais, com o comentário do nobre colega Jorge Roberto da Silva, abaixo...

O que precisa mudar de fato, é a mais valia de levar vantagem em tudo...o que torna o capitalismo uma rede de insensatez sem precedentes...aonde um médico, que além de profissional, faz seu juramento para salvar vidas, ignora, nas portas dos hospitais, as pessoas que necessitam de atendimento médico-hospitalar, simplesmente, porque os administradores do Estado, não cumprem com as suas obrigações pecuniárias e estruturais...

Algo precisa ser modificado...e, urgente. Ou então, em breve, não haverá algo... continuar lendo

O médico, por mais humanitário que seja, é um ser humano. Ele não deve ser escravizado ou obrigado a fazer caridade. Cada um tem seu limite. Trabalhar sem receber, cada um faz o que pode. Exigir que um médico trabalhe de graça é pedir sua escravidão. continuar lendo

Caridade, não nobre colega Tiago Ramos da Silva, 'dever', sob juramento.

Salvar uma vida, rompe qualquer barreira da insensatez do ego, do torpor de não provavelmente receber.

Falar de vidas, é lograr vitória sobre a insana visão de escravização ou vê se pode...

Vida é algo que não se discute, salvá-la então... continuar lendo